terça-feira, 21 de abril de 2009

Vygotsky

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vygotsky

PROCESSOS PSICOLÓGICOS SUPERIORES

"Como a mente primitiva de uma criança se transforma, passo a passo, na mente de um adulto cultural? [...] No processo de desenvolvimento, a criança não só amadurece, mas também se torna reequipada. É exatamente esse reequipamento que causa o maior desenvolvimento e mudança que observamos na criança à medida que se transforma em adulto cultural. É isso que constitui a diferença mais pronunciada entre o desenvolvimento dos seres humanos e dos outros animais. ( VYGOTSKY E LURIA, 1996, p. 177).
Esses autores afirmam que os animais que não os humanos, adaptam-se à natureza e para isso alteram seu organismo. Todos os seus órgãos de percepção são refinados e ativados todos os recursos motores. A memória, olfato, visão, audição, por exemplo, que são suas capacidades naturais, tornam-se cada vez mais perfeitas. Já nos seres humanos, muitas de suas capacidades inatas não só sofreram desenvolvimento e aperfeiçoamento intensos em comparação com os outros animais, mas estão adormecidas, ou pode-se falar em degradação dessas, ou até mesmo regressão. Exemplo disso é a comparação da visão do ser humano com a de uma águia ou de um falcão, ou a audição humana com a de um cão. Etnógrafos contam histórias de povos primitivos dotados da capacidade de suas memórias surpreendentes, são ainda capazes de perceber muitos objetos simultaneamente e estimar a quantidade. O homem primitivo nesse aspecto é superior ao cultural, se bem que o homem o homem cultural seja mais poderoso e mais bem orientado em seu meio ambiente na busca do controle dos fenômenos ambientais. As catástrofes ambientais do tsunami e furação Katrina, demonstram entretanto que o homem cultural não possui mais tanto controle da natureza, pois o mesmo procura dominá-la causando estragos ainda maiores para os povos do planeta. Os povos que viviam nas aldeias, pobres, em contato permanente com a natureza, salvaram-se fugindo para o alto da montanha, porque souberam ler e observar o comportamento dos outros animais, agitados esses fugiam do lugar, já os mais ricos e poderosos não souberam fazer essa leitura e sucumbiram à catástrofe.
O ser humano aos poucos aprendeu a usar racionalmente as capacidades naturais e perdeu o contato direto com a natureza. Assim ele internaliza, em seu processo de desenvolvimento, o meio ambiente. O comportamento torna-se social e cultural, em termos de conteúdo e de seus mecanismos e dos seus meios. Ao invés de memorizar algo em particual, ele desenvolve um sistema de memória artificial, mediada. Daí desenvolve-se a linguagem e o pensamento, surgem idéias abstratas e criam-se inúmeras habilidades culturais e meios de adaptação. Assim é que surgem as funções psicológicas superiores, ou seja( atenção voluntária, memória mediada, percepção complexa, conceitos) a partir da internalização de práticas sociais específicas. O desenvolvimento é visto como um processo culturalmente organizado e os processos psicológicos superiores são especificamente humanos, enquanto histórica e socialmente constituídos. Os processos elementares como os de atenção involuntária, memória natural, percepção , apenas não são condições suficientes para a aparição das funções psicológicas superiores.

Chegamos ao ponto central da obra de Vygotsky, a diferenciação entre os processos psicológicos inferiores e os superiores. Assim retornamos à afirmação do primeiro parágrafo.

O Desenvolvimento Cultural de Funções Psicológicas Superiores: memória, a atenção, a percepção será o nosso próximo assunto.Até lá.

domingo, 12 de abril de 2009

Quem foi Vygotsky?

Após termos uma noção da teoria de Piaget, interessante será conhecer um pouco a respeito de Vygotsky, a sua história pessoal e intelectual, para assim entendermos a razão pela qual o autor pretendeu elaborar uma síntese dos conhecimentos psicológicos e do processo adotado.( Processos Psicológicos Superiores).

Lev Semionovich Vygotsky, este era o seu nome completo. Nasceu em Orsha, a 5 de novembro de 1896, numa família judia de classe média. Quando tinha um ano de idade sua família mudou para Gomel, uma pequena cidade da Bielo-Rússia, perto da República da Ucrânia e dentro de Pale, um território vigiado onde eram confinados os judeus na Rússia czarista ( MOLL, 1996). Em Gomel, ele viveu sua infância e juventude. Ele era o segundo de uma família de oito filhos. Seu pai era executivo do Banco Unido e representante de uma companhia de seguros. Sua mãe era professora licenciada, contribuiu para tornar sua família uma das mais cultas da cidade e organizou uma biblioteca pública que era freqüentada por seus filhos e colegas. Possivelmente, a forte repressão sofrida pelos judeus na Rússia pré-revolucinária, as restrições territoriais, restrição para ingresso na universidade, a proibição de muitas profissões e a permamente ameaça de perseguições contribuíram para o isolamento da família e para o caráter predominante intelectual da vida familiar. ( MOLL, 1996,p.32).

Vygotsky recebeu a instrução primária em casa, sob a responsabilidade de um tutor que conduzia o processo educacional de acordo com diálogos socráticos. Depois, ele ingressou no Gymnasium judeu particular em Gomel, graduando-se com medalha de ouro em 1913. Em seguida, entrou para a Universidade de Moscou e suas escolhas foram determinadas pelas restrições que sofria como judeu. Fez direito e freqëntou outros cursos como de história e filosofia na Universidade do Povo, que não era oficialmente reconhecida. Durante os anos de Universidade, dividiu um quarto com sua irmã Zinaida, quem lhe introduziu na obra de Espinosa. Ele, nessa época, demonstrou interesse por literatura e arte. Sua dissertação de mestrado foi sobre Hamlet de Shakespeare e, mais tarde, ele fez uma análise da obra de Dostoievski "Dostoievski e o anti-semitismo". Ao concluir os estudos universitários em 1917, ele retornou a Gomel e obteve permissão para lecionar em escolas estaduais. Entre 1917 e 1924, lecionou em vários institutos e no Colégio Pedagógico onde montou um pequeno laboratório psicologico. Lecionou também na escola noturna para trabalhadores adultos e nos Cursos Preparatórios para Pedagogos. Os assuntos de suas aulas iam de literatura e língua russa a lógica, psicologia e pedagogia.

Organizou as chamadas segundas feiras literárias, fez muitas palestras sobre estética e história da arte, foi co-fundador da editora Eras e Dias e da revista literária Urze.Chefiou a seção de teatro do departamento de Educação popular de Gomel, editou a seção de teatro do departamento de Educação popular de Gomel, editou a seção de teatro do jornal local. Ele foi membro ativo da vida cultural de Gomel, e conheceu muitas figuras culturais importantes da época. A partir de 1920, sua família foi acometida de tuberculose e ele mesmo ficou doente durante 14 anos. Morreu em 1934. Entre 1917 e 1924, nesse período teve como marco a origem do pensamento psicológico de Vygotsky. Em Gomel ele realizou suas primeiras experiências psicológicas e fez as primeiras palestras sobre a educação e psicologia enquanto desenvolvia trabalhos sobre literatura e arte. Produziu sua obra psicológica enquanto doente, de 1920 a 1934 e várias vezes acamado, pedia auxílio à sua filha para escrever suas ideias acerca do desenvolvimento e aprendizagem humanos, ou seja, dos processos psicológicos superiores, dos instrumentos de mediação( ferramentas e signos) e da necessidade de um enfoque genético em psicologia que recuperasse a perspectiva histórica de desenvolvimento humano. As três teses centrais da teoria sócio-histórica de Vygotsky são: processos psicológicos superiores, instrumentos de mediação e perspectiva genética de análise( BAQUERO, 1998).

Fonte: Pós Graduação Lato Sensu em Psicopedagogia, FUMEC.

Após conhecermos um pouco mais sobre esse importante homem, iremos ter oportunidade de nos inteirarmos a respeito das teses centrais de sua teoria. Até a próxima postagem.

domingo, 29 de março de 2009

Caso das crianças lobo, Amala e Kamala

Irei agora, através da narrativa a respeito de Amala e Kamala, ilustrar o texto refente a Conhecimento e a Educação postado anteriormente. Leiam e percebam o quanto é interessante constatar que o conhecimento é realmente um produto social coletivo.


O caso das crianças lobo, Amala e Kamala serve para ilustrar a afirmação de que apenas a composição biológica do indivíduo não lhe assegura a condição suficiente para se tornar humano, apenas a condição necessária para a sua existência como indivíduo.
Conta-se que, em 1920, na Índia, o Reverendo Singh teria confirmado um boato que circulava entre os camponeses de Midnapore. Tratava-se da existência de crianças vivendo no meio de lobos. Através de um posto de observação montado em cima de uma árvore, do lado de fora de uma grande caverna, ao cair da noite, pôde observar que entre lobos que saiam um a um da caverna encontrava-se uma mãe e seus filhotes e, entre esses filhotes dois deles pareciam homens, apesar de não agirem como tal.
Organizou-se uma exposição que massacrou os lobos, as crianças-lobo foram resgatadas. Uma delas, quando foi encontrada, denominada Amala, tinha um ano de idade e veio a morrer um ano mais tarde. A outra, Kamala, de oito anos de idade, viveu até 1929. Eram como lobos no jeito de comportar e até mesmo na aparência. Moviam-se rapidamente de quatro, não sabiam andar sobre os pés, criaram calos duros nos joelhos e naspalmas das mãos. Mexiam as narinas para cheirar, queriam comer apenas carne crua, caçavam animais selvagens, tinham hábitos noturnos, evitavam outras crianças, preferiam a companhia de cães e gatos. Ao dormir, enrolavam-se juntas no chão. Eram ativs e uivavam como lobos. Nunca choravam ou riam. O relato abaixo nos dá idéia da evolução de Kamala:
" A evolução de Kamala, foi significativa, porém limitada. Ela conseguiu aprender a caminhar só com as pernas e mudar de hábitos alimentares, aprendeu muitas palavras e sabia usá-las, embora nunca tenha chegado a falar com fluência. Apesar dos progressos de Kamala, a família do missionário anglicano que cuidou dela, bem como outras pessoas que a conheceram intimamente, nunca sentiu que fosse verdareiramente humana.

Fonte: http:// www. feralchildren.com/en/index.php exemplos de vários casos.
www.google.com" crianças lobo".

Assim, denominamos ao processo que se permite tornar-se humano mediante a interação com outros homens no interior de um determinado contexto social de EDUCAÇÃO.

Aproveito para a partir dessa definição de educação, abordar a teoria de Vygotsky, pois dentre as diferentes correntes psicológicas, a psicologia sócio-histórica é a que mais nos mobiliza a compreender o desenvolvimento do ser humano, ou seja, como nos tornamos humanos ao nos apropriarmos do mundo. Sua obra apesar de inacabada é genial. Assim para compreender sua teoria parece-me necessário saber em que época histórica viveu Vygotsky, com quem dialogou, como construiu sua teoria da psicologia sociocultural ou sócio-histórica ou sócio-interacionista, e para isso, caso você queira construir conhecimento, leia as próximas publicações do blog, ok?


O Conhecimento e a Educação

Sabemos que conhecimento é a apropriação intelectual das coisas, dos fenômenos, daquilo que se transformou em objeto de interesse para nós, que ele se dá de acordo com a nossa conveniência, com o nosso parecer favorável a respeito de assuntos diversos. Há portanto, diferentes conhecimentos.
O conhecimento é resultado ou produto de um processo social coletivo. Cada indivíduo desenvolve o seu saber no interior de um determinado grupo social, no interior de determinada classe social, em uma sociedade. Diferentes classes sociais que compõem determinada sociedade terão nela indivíduos que perceberão de diferentes maneiras a realidade, pois não há posibilidades de a percepção de uma mesma realidade ser ideêntica a das diferentes classes sociais. "O conhecimento é determinado socialmente, é um produto social".
Quem procura adquirir conhecimento são os homens e eles também produzem conhecimento, diferente dos animais e ao mesmo tempo os homens produzem a sua própria vida. Conhecer e existir fazem parte de um mesmo processo social.
Da relação entre um homem e uma mulher é possível nascer um indivíduo. Esse indivíduo é o produto de uma herança biológica, ele traz a composição genética advinda daquela relação. A composição biológica desse indivíduo assegura a ele a condição necessária para a sua existência como indivíduo, não lhe assegura, contudo, a condição suficiente para se tornar humano.
Fonte: Integração e operacionalização de práxis psicopedagógica: eixo 1/ Coordenação e organização dos textos por Magda Chamon.- Belo Horizonte: Faculdade de Ciências Humanas da Universidade FUMEC, 2005. p.19

domingo, 22 de março de 2009

PIAGET E NOVA PSICOLOGIA

Hoje veremos algumas posições de Piaget a respeito das relações corpo/mente, sujeito/sujeito, sujeito/sociedade e a crítica que envolve a desconsideração da sociedade como construção histórica em suas pesquisas. Vejamos, pois...

Aplicação do método piagetiano

PIAGET: (1896-1980)- Nasceu em Neuchâtel, suíça. O volume dedicado ao autor na Coleção Os Pensadores traz uma bibliografia detalhada bem como uma cronologia de suas obras. No endereço Web(http://penta.ufrgs.br/~ Márcia/biopiag.html) também pode-se encontrar uma cronologia bastante interessante com informações sobre a trajetória pessoal e profissional do autor.



Fonte: www.universia.com.br

De certa forma, Piaget cria uma nova Psicologia. Já naquela época, ele considerava que para o conhecimento do indivíduo evoluir é necessário o estímulo, a participação, o respeito mútuo no lugar do professor como único detentor do conhecimento e responsável pela sua transmissão. "Essa linha de trabalho coloca Piaget no mesmo patamar de Freud no que diz respeito à importância de seu trabalho na Psicologia. Aquilo que Freud realizou no campo das emoções, Piaget fez no universo do conhecimento", afirma o professor da Faculdade de Educação da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), Fernando Becker. .

Apesar da teoria do conhecimento construída por Jean Piaget não ter intenção pedagógica, ofereceu aos educadores importantes princípios para orientar sua prática. Para especialistas, estas informações, quando bem utilizadas, ajudam o professor em sala de aula. "O que permanece de Piaget é a mensagem aos professores de que os conteúdos devem ser apresentados aos alunos de acordo com suas capacidades", conclui Becker.

Quando inicia os estudos sobre a construção do conhecimento, piaget parte do pressuposto de que a mente se constrói em interação com o corpo, na relação desse corpo com outros corpos e na interação desses corpos em uma sociedade. Segundo os estudiosos, Piaget priorizou o par mente/ corpo e as relações entre os sujeitos e deu pouca ênfase à relação dos sujeitos com a sociedade. Ele analisa a relação entre os sujeitos, mas sem qualificar o conytexto que os circunscrevem, por exemplo, ao analisar a construção por um bebê de um determinado esquema, ele mostra a importância do adulto, mas não mostra as possíveis modulações nessa construção em função deste adulto ser o pai, mãe, babá ou outro sujeito. Ou se o bebê está em uma creche, na rua ou em casa. Nessa perspectiva, Piaget não teria priorizado, em suas pesquisas, a sociedade como construção histórica, isto é, considerou-a como uma variável, no máximo, em termos de diferença cultural. "Essa crítica foi revista por outros estudiosos que entendem que Piaget estava em busca do que é universal em termos de mente humana, do que é inerente à espécie". ( Fonte: Fundamentos cognitivos do processo Ensino- Aprendizagem I- Professora Maria Isabel Antunes Rocha- FUMEC- 2007).

"Conforme Piaget:

Existe , com efeito, um paralelo constante entre a vida afetiva e a vida intelectual... Afetividade e inteligência são, assim, indissociáveis e constituem os dois aspectos complementares de toda conduta humana... Nunca há ação puramente intelectual... assim como também não há atos que sejam puramente afetivos ( PIAGET, Jean. Seis Estudos de Psicologia. 24 ª ed.- Rio de Janeiro: Forense Universitária, 2004.)

Seus estudos sobre emoções foram sintetizados na obra citada, sobretudo como apontamentos e considerações, esse tema não foi prioridade em seus experimentos empíricos.
Para Piaget a estrutura e a dinâmica da mente existem como processos inerentes à condição humana. Mas, não está pronta, será construída e essa construção só ocorre com a presença do conteúdo.